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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Limonada (Ou: Transformando crise em oportunidade)

Acho que pessoal ainda se lembra de uma treta que deu, de uns advogados representando as marcas premium Ferrari e Lamborghini processando os fabricantes de réplicas, acusando-os de vender "carros falsificados". A PF entrou com tudo, vários veículos foram apreendidos, e o sonho de se obter uma réplica de carro esportivo ficou bem mais distante para os que poderiam pagar.
A mídia esculachou os fabricantes das réplicas, chamando-os de falsificadores, como se os compradores não soubessem que estavam comprando réplicas. Teve dono de oficina que desistiu do negócio. outros seguem como se não fossem com eles.
Mas alguns resolveram resgatar o espírito dos Anos 80, da áurea época dos Fora de Série, e resolveram entrar com projetos de fabricar carros com marca e desenho próprios.
Mas não quaisquer carros... Mas sim, superesportivos!
Dois ex-fabricantes de réplicas, até onde eu sei, resolveram fazer dos limões uma limonada, ou seja, em vez de réplicas de Ferrari e Lamborgjini com motores Audi, Mercedes ou BMW, estão apostando em carros de desenho próprio com esses mesmos motores.

Um deles é o André Calegari, da Calegari Design. Ele já tinha feito um modelo Barchetta com motor dianteiro em 2016, mas depois da treta resolveu fabricar outro modelo, o Calegari 2.

O carro quase completo, só faltando o acabamento interno e o parabrisa.

Não só isso, ele tem outro modelo, Calegari 3, que parece um Stock Car. E ainda por cima, André recebeu um exemplar do carro de Denis Rosset, inacabado, e a autorização dele para produzir o DoniRosset, aquele colosso com motor Viper V10 biturbo a etanol com mais de 1000 cv, e que agora se chamará Calegari 4.

Este é o futuro Calegari 4. 

Outro montador que resolveu partir pro design próprio é o Serafim Cley. Ele também, foi bastante prejudicado pela onda de ataques dos "representantes" da Ferrari e da Lamborghini, além da mídia escandalosa. O carro dele, chamado GTY, está em fase inicial de projeto, já tem o design pronto pra tirar o molde, e quem viu o conceito se impressionou.

Tem bastante inspiração na Lamborghini.

Então é capaz de esse carro começar a fazer seu primeirto teste lá pelo meio do ano. O modelo em 3D impressiona.

Se eu achar outros carros sendo fabricados, eu postarei mais adiante.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A "Escola Brasileira" dos esportivos

Todo país que se preze no mundo automotivo tem sua receita para um carro de desempenho considerável, e se uma receita dá certo, ela acaba sendo, conscientemente ou não, copiada, o que acaba gerando uma "escola" nacional, ou seja, uma receita que caracteriza não só o esportivo, mas também seu país.

A escola Americana é a dos carros grandes, com motor grande, torcudos e que bebem pra caramba. A característica fundamental para um carro da escola americana é um V-oitão bem grande, e um chassis bem grande pra aguentar esse torque todo.

A escola Europeia é a dos carros pequenos, mas com quilos de turbo em seus motorzinhos, e se tiver tração integral, melhor ainda. Dentro da Europa, há a escola Italiana, que é motor central, carro socado no chão (Nas ruas da Europa não chega a ser um problema) e motor em V não muito grande, mas muito girador. Há também a escola Inglesa, que é o carro ser o mais leve possível, para um motor mediano puxar menos quilos de carro e render mais. A escola Alemã é parecida com a escola Americana, mas com um pouco de cilindrada a menos, e um tanto de tecnologia a mais, e um design bem sóbrio.

A escola Japonesa é a escola do JDM: Motor com quilos de turbo, como na escola europeia, mas com apêndices aerodinâmicos que deixam o carro grudado no chão, como na escola Italiana. E, lógico, muito drift.

Qual seria então, a escola Brasileira? Tendo muita influência europeia, o conceito de esportivo no Brasil é carro com motor central. Mas, ao contrário da escola Italiana, o carro é pequeno, como nas escolas Europeia e Japonesa, e confia em motor pequeno, que é mais barato e fácil de adquirir (Não se produzem mais V8's no Brasil...), mas preparado até o talo, de preferência com turbo.

Um carro esportivo, você já sabe que é americano, italiano, japonês, só de olhar. Como se identifica um carro esportivo tipicamente brasileiro?
-Ele tem motor central e dois lugares
-O motor é quase sempre um 4 cilindros em linha turbo, com cilindrada aumentada.
-Ao contrário da escola Italiana, o motor fica apartado da cabine, e fica sob uma tampa reta, mascarada por colunas falsas que seguem até a parte traseira. Sem essas colunas falsas, o carro fica parecendo uma picape pequena.

Seguem fotos do que seriam exemplos de uma "escola Brasileira" de carros esportivos.


 Bianco Tarpan, motor do Passat TS. Semelhança com o Bianco S, que era feito sobre o chassi do Fusca. Década de 80
 Dankar Squalo, também com motor Passat TS. Também década de 80
Corona Dardo, fins da década de 70. Motor Fiat 147 1.3, réplica do Fiat X1/9, era vendido nas concessionárias Fiat.

O Dardo todo aberto.

Farus Beta, década de 80, motor Chevrolet do Monza.
A versão conversível do Farus Beta.

Farus ML 929, primeiro modelo da marca, motor Fiat 147. Também, década de 80.
Short SRT, versão de corrida do Short GT, década de 2000.
 
Short GT. Motor Volkswagen AP, turbo
 
As linhas retas lembram um "mini-Lamborghini"

Edra GT, década de 2000 (Ainda pode-se pedir encomenda)

Motor VW AP 2.0, mas aceita outras motorizações.

Um exemplar em restauração vai receber motor V6 da Ford.

A Edra também fabrica outros produtos, como um utilitário elétrico.

Lobini H1, década de 2000/2010. Motor Audi 1.8 turbo.

Muito sofisticado e muito caro. Merecia um motor mais fotrtinho...
A capota é removível e pode ser presa na tampa do motor.

San Vito S1, década de 2000/2010  

Não é tão sofisticado quanto o Lobini, mas ainda está em fase de protótipo.
O motor é o Volkswagen 1.8.


Uma pena que estes carros não receberam a devida atenção dos entusiastas de carros. Quem sabe, o novo Puma, que está sendo desenvolvido, não mude esse paradigma?...

Fiel à escola Brasileira de design esportivo, lógico!