terça-feira, 8 de setembro de 2009

Saudades...


Estas fotos marcaram uma época que duvido muito que vá voltar.
Sou nascido em Penápolis, estado de São Paulo (Pra quem não se lembra, é a cidade da Sabrina Sato - Aquela, do Pânico na TV), e vi minha primeira corrida de kart ser a última realizada em um circuito de rua lá. Muita gente, imprensa, muitos karts e kartistas de Penápolis e região e a presença certa do "locutor oficial" do kart de Penápolis, o Souzinha.



Logo depois, o kartódromo Elpídio Nory foi inaugurado, e um campeonato regional, patrocinado pela Colormaq (Fabricante do primeiro "tanquinho" do Brasil), de Araçatuba, foi implantado. Vinham kartistas até do Paraná.



O kartódromo, antes apenas uma pista, começou a receber mais infraestrutura, dado o sucesso perpetrado pelo Penápolis Kart Clube em promover um campeonato tão popular. Ganhou lanchonete, boxes e até uma "torre" de cronometragem.



O kartódromo era chamado pelo Souzinha, ironicamente, de "Inter-poças", uma alusão a "Interlagos", devido às poças de água que se formavam na parte de dentro do Kartódromo em dias de chuva.


O clima era de muita camaradagem, e tinha kartista que emprestava peça pra outro quando faltava alguma peça. Afinal, nem todas as "equipes" tinham um aparato completo, com peças de reserva, e de vez em quando aconteciam imprevistos, tais como pneus furados, escapamentos estourados e carenagens arrebentadas.


Os ídolos locais eram o Beto e Teté Colnaghi (Colnaghi Irrigação), o Marangoni, o Gino Corbucci (Cerâmica Corbucci, de Avanhandava), o Luiz Pirani (Pirani Transportes), o Soares (Pipo Som), o Prego (PP veículos), o Ito (Radio Lux), Hajime e Márcio Saita (Da Saivel, de Birigui) os Maschietto, e o Reinaldo Ortiz, mais conhecido como Nino (NR Lava-rápido). Nino, além de piloto e chefe de sua equipe, era o presidente do Penápolis Kart Clube.



Além deles, muitos outros kartistas corriam, com recursos limitados, mas o que importava era a diversão. Cogitou-se, inclusive, realizar uma corrida de motos RD 135 no kartódromo. Um piloto foi lá fazer um teste, e deu umas voltas em uma moto muito chique, toda carenada. Mas, acho que devido à pista ser demasiado curta e estreita, a empreitada não teve sucesso.



Mas, aí, aconteceu uma tragédia: Reinaldo Ortiz veio a falecer, em um acidente de moto. E, como ele era o "faz-tudo" no Kart Clube (Ele agendava as corridas, comprava os troféus para os vencedores, chamava os kartistas de fora pra correr aqui, etc...), o Kart Clube foi definhando...



Daí, sem kartistas, o Kart Clube ficou paralisado. O primeiro a cair fora foi o zelador. Sem zelador, o Kartódromo tornou-se um "maconhódromo", por se localizar em frente à saída de um bairro de periferia da cidade, onde os maconheiros se escondiam pra fumar seus baseados. Daí, o vandalismo imperou: Detonaram a lanchonete, a casinha do zelador, a torre de cronometragem e até os boxes.



Passaram-se alguns anos, e tentaram reorganizar o Kart Clube, fazendo um novo torneio de kart. Desta vez, era um outra geração que estava lá presente, e eram só kartistas de Penápolis e cidades vizinhas. Mas não havia mais lanchonete, não haviam mais boxes, não havia mais o Nino pra levar o Kart Clube nas costas.



Resultado? Não há mais Kart Clube em Penápolis. Não há mais corridas de kart em Penápolis. O kartódromo Elpídio Nory, abandonado, foi retomado pela prefeitura, e seu destino a longo prazo será a demolição para ser transformado em um parque. Enquanto isso não acontece, a galera do "wheeling" (empinadores de motos) usa a pista nos fins-de-semana.



Em breve, não restará nada do Kartódromo além de imagens como estas:

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